Bundle of Joy

Chora por horas e nada acalma? O que dizem a SBP e o Ministério da Saúde.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em páginas escritas para as famílias, explica o que é a cólica, como saber se é cólica, quanto tempo ela dura e o que pode ser feito em casa. O Ministério da Saúde fala do choro do bebê e dos sinais para procurar um serviço de saúde. Aqui estão as palavras de cada um, com o link de cada fonte. Onde as fontes não dizem a mesma coisa, mostramos as duas.

O que é a cólica do bebê?

As duas citações vêm da página da SBP sobre a cólica do lactente, de 2023, escrita para as famílias.

“O choro está relacionado à cólica nos bebês?
Sim. A principal manifestação da cólica do lactente é o choro inconsolável. Deve ser lembrado que o choro faz parte do desenvolvimento neurológico e comportamental do lactente. Pode ser ocasionado também pelo frio, calor, fraldas que necessitam de troca e fome, entre outras causas que acontecem normalmente no cotidiano do bebê.” Sociedade Brasileira de Pediatria
“É possível definir o que provoca cólica nos bebês?
Não se conhece com a exatidão as causas da cólica. ... O caráter autolimitado da cólica, ou seja, seu desaparecimento espontâneo sugere que pode sofrer grande influência do desenvolvimento do tubo digestivo ao longo dos primeiros meses de vida.” Sociedade Brasileira de Pediatria

Nem todo choro é cólica

A primeira citação é do Ministério da Saúde, da página “Mitos e verdades sobre doação de leite”. As outras duas são das páginas da SBP para as famílias, a de 2023 e a de 2025.

“Nem sempre que o bebê chora é porque está com fome. Ele pode estar com cólica, frio ou calor, molhado, ou simplesmente querendo carinho (colo). Lembre-se de que o choro é a única forma de o bebê se comunicar nos primeiros meses de vida.” Ministério da Saúde
“Quando suspeitar de que o choro está ligado a cólica?
Quando o choro não desaparece quando as outras causas são descartadas, pode ser cólica do lactente. No entanto, nem todo choro inconsolável é cólica. Assim, o pediatra deve avaliar o lactente para descartar outras causas que podem acarretar choro inconsolável e estabelecer o diagnóstico correto do problema.” Sociedade Brasileira de Pediatria
“Choro, irritação e cara vermelha sempre significam cólica?
Não. O bebê pode chorar por frio, fome, fralda suja ou apenas porque quer colo. O diagnóstico de cólica só é considerado quando descartamos essas outras causas e o choro é recorrente, de difícil consolo, repetindo-se várias vezes na semana.” Sociedade Brasileira de Pediatria

Como saber se é cólica

As duas páginas da SBP não contam a cólica do mesmo jeito. A de 2023 fala da “regra dos 3”, a de 2025 usa os critérios de Roma IV, e o tempo de choro e o número de semanas mudam de uma para a outra.

“O que pode indicar aos pais que seu filho está com cólica?
Há quase 70 anos existe uma definição de cólica do lactente que leva em consideração a ocorrência de choro inconsolável e/ou inquietação e/ou irritabilidade por pelo menos três horas, em três dias da semana e com duração superior a três semanas (a chamada “regra dos 3“). Além do sofrimento que ocasiona no bebê, a cólica pode se associar com muita ansiedade nos pais, maior risco de depressão materna e redução na qualidade de vida da família.” Sociedade Brasileira de Pediatria
“Um bebê que chora muito no fim da tarde, quase sempre no mesmo horário, pode ser cólica?
É possível. Pela definição de Roma IV, o choro da cólica costuma ser previsível, acontecendo em determinados períodos do dia, geralmente no fim da tarde ou início da noite. O importante é observar se isso se repete várias vezes na semana e se dura mais de três horas em cada episódio.” Sociedade Brasileira de Pediatria
“Pode ser cólica mesmo que o bebê não chore três horas seguidas?
Sim. O que se considera é o padrão repetitivo: se o bebê apresenta episódios frequentes de choro inconsolável, várias vezes na semana, por pelo menos uma semana, já pode se enquadrar no quadro de cólica, mesmo que não atinja as três horas exatas de duração em todos os dias.” Sociedade Brasileira de Pediatria

Quanto tempo dura a cólica do bebê?

Da página da SBP de 2025:

“Até quando a cólica pode durar?
Pela experiência clínica e pelos critérios de Roma IV, a cólica é autolimitada: costuma começar nas primeiras semanas de vida, atingir o pico por volta de 6 a 8 semanas e melhorar bastante até os 3 ou 4 meses de idade, desaparecendo quase sempre antes dos 5 meses.” Sociedade Brasileira de Pediatria

O que a SBP sugere fazer em casa

Da página da SBP de 2023:

“O que pode ser feito em casa para ajudar no controle da cólica do lactente?
Há uma série de procedimentos que podem ser adotados. As seguintes sugestões podem ser úteis para ajudar no controle da cólica do lactente:
Pegar o bebê no colo (pode ser tentado o contato direto da barriga do bebê com a barriga da mãe);
Enrolar o bebê em uma manta ou cobertor;
Flexionar as coxas do bebê sobre a barriga; ...
Reduzir estímulos para o bebê (evitar locais com muito barulho ou excesso de pessoas);
Procurar um ambiente tranquilo, podendo ser usada música ambiente suave;
Estabelecer uma rotina para banho, sono, passeio e outras atividades;
Não utilizar chás, trocar marcas de fórmula leite ou usar medicamentos sem a orientação do pediatra;
Nunca interromper a amamentação exclusiva. Sempre pedir orientação ao pediatra;
Siga sempre as recomendações do pediatra, que é quem realmente sabe o que é melhor para a saúde do seu bebê.” Sociedade Brasileira de Pediatria

Quando você não aguenta mais: nunca sacuda o bebê

Esta citação é de uma página da SBP para as famílias sobre traumatismo craniano leve, de 2025. É o último item da lista de prevenção do dia a dia.

“Nunca sacudir um bebê. Movimentos bruscos provocados podem causar lesões cerebrais gravíssimas. Se sentir frustração ou dificuldade em acalmar o choro, coloque o bebê em um lugar seguro e peça ajuda.” Sociedade Brasileira de Pediatria

Se você não está bem, peça ajuda

Na citação sobre a “regra dos 3”, mais acima, a SBP liga a cólica à ansiedade dos pais e a um risco maior de depressão materna. A Caderneta Brasileira da Gestante, do Ministério da Saúde, traz na parte sobre o pós-parto uma lista de sinais emocionais para procurar um serviço de saúde. A lista foi escrita para a mãe:

“Procure um serviço de saúde se perceber:
• Tristeza intensa ou que não melhora.
• Ansiedade forte ou medo constante.
• Irritabilidade excessiva.
• Sentimento de desespero ou de que as coisas não vão melhorar.
• Mudanças bruscas de comportamento.
• Dificuldade de criar vínculo com o bebê.
• Isolamento ou falta de apoio.
• Sensação de culpa intensa ou incapacidade.
• Falta de planos para o futuro ou projetos de vida.
• Pensamentos de desvalorização da vida, vontade de se machucar.
• Uso frequente de álcool ou outras substâncias.
• Que está vivendo uma situação de violência.
Se algo assim estiver acontecendo, busque a equipe de saúde o quanto antes.
Pedir ajuda é um direito, um ato de cuidado consigo mesma é um passo importante para se sentir melhor.” Ministério da Saúde

Quando procurar o pediatra ou um serviço de saúde

Sobre o que o choro inconsolável indica, as fontes não dizem a mesma coisa. Para a SBP, ele é a principal manifestação da cólica (a primeira citação desta página). A Caderneta Brasileira da Gestante, do Ministério da Saúde, na parte sobre o nascimento e o primeiro encontro com o bebê, põe o choro inconsolável entre os sinais para procurar um serviço de saúde.

“A cólica pode ser sinal de que meu bebê tem algum problema no intestino?
Na grande maioria das vezes, não. A cólica é considerada um distúrbio funcional, ou seja, o intestino funciona normalmente, mas há imaturidade na adaptação do sistema digestivo e nervoso do bebê. Só investigamos algo mais sério se houver outros sinais de alerta, como sangue nas fezes, dificuldade para ganhar peso, febre ou recusa para mamar.” Sociedade Brasileira de Pediatria
“Se o bebê apresenta cólica diariamente, mas está se desenvolvendo e crescendo normalmente, isso ainda pode ser um sinal de algo mais sério?
Se o bebê está crescendo bem, mamando, ganhando peso e não tem outros sintomas como febre, vômitos frequentes ou sangue nas fezes, geralmente não há motivo para preocupação. A cólica é desconfortável, mas não prejudica o desenvolvimento.” Sociedade Brasileira de Pediatria
“Procure um serviço de saúde se o bebê apresentar:
• Dificuldade para mamar.
• Respiração rápida ou com esforço.
• Febre ou temperatura muito baixa.
• Pele amarelada intensa.
• Sonolência excessiva ou choro inconsolável.
Na dúvida, procure a UBS ou um serviço de urgência.” Ministério da Saúde

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Diário do bebê compartilhado · Relatório para o pediatra

Fontes

Todas as citações desta página foram conferidas na fonte em . Não é orientação médica. Para dúvidas sobre seu bebê, converse com o pediatra.

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